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Por que promovemos o veganismo

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O olhar do comentário e a denúncia. Mensagens e análise do movimento.

12-9-09

Mensaje de Ánima

©Traducción: Lucas Laitano Valente. ©Ediciones Ánima

Um recente artigo do blog do professor Gary Francione (tradução ao português: Alguns comentários sobre o vegetarianismo como uma "porta de entrada" para o veganismo) reacendeu a discussão que anos atrás fazíamos na Ánima sobre a mensagem que deveríamos difundir como ativistas pelos direitos animais. Naquele momento, disseminávamos que o sofrimento e a morte dos animais era consequência da sua utilização em todo tipo de indústrias de exploração e da sua condição de propriedade, onde são tratados como coisas e comercializados como mercadorias. Esta condição aparece inclusive nos animais que vivem em estado de natureza, mesmo que não seja tão notória. Desta forma, salientamos que combater a violência exercida pelas instituições significa abster-se do consumo de animais, tanto dos seus corpos quanto dos produtos advindos deles, assim como evitar absolutamente a participação em atividades que os utilizem como objetos. A razão ética não diferencia sabores ou aparências de liberdade. Promover a ideia que consumir carne de animais não seja eticamente aceitável, mas consumir laticínios e ovos sim, não faz sentido.

Isto significa, simplesmente, dar coerência a nossa mensagem e claridade às consequências. A razão pela qual tem sido frequente a difusão do vegetarianismo “e” do veganismo é porque se propagou a ideia do veganismo como forma de “vegetarianismo”, revestindo este último de uma postura ética que não possui. Talvez por motivos históricos e religiosos possa haver ocorrido a ligação desta maneira, mas isto há séculos atrás. No século XXI, as razões éticas que nos levam a não consumir carne são as mesmas que nos levam a não consumir os produtos que se retiram dos animais antes do abate e o que nos estimula também a não presenciar certos espetáculos, assim como não adquiri-los financeiramente como bichos de estimação. Tudo isso significa demandar um produto fruto do sofrimento psicofísico, da manipulação e da morte, conforme determinado pela conveniência do proprietário da indústria a que o animal serve. Além disso, quando denunciamos a escravidão e promovemos o veganismo, estamos falando de muito mais do que apenas alimentação.

Desta forma, poder-se-ia dizer que o veganismo é muito mais difícil de praticar, e que possivelmente a pessoa comece deixando de ingerir carne. Evidentemente que uma forma de vida inteiramente vegana é um processo mobilizante que não acontece igualmente para todos. O fato de que alguns escolham ao início por deixar de comer animais não influi na mensagem nem no objetivo de nossa comunicação. Aquele/a que não se torna vegano/a depois de receber esta mensagem, ao menos a terá como propósito, e quem apenas deixa de comer corpos de animais saberá que continua partícipe da exploração animal. Por isso não queremos dizer “torne-se vegetariano” como um primeiro passo. Conhecemos pessoas que deixaram os laticínios e os ovos antes de parar de comer peixes. Teoricamente não são vegetarianas nem veganas, mesmo assim estão tão envolvidas no sofrimento e na matança de animais quanto aqueles que iniciam parando de comer carne. Nossa mensagem é a mesma e continuaremos a difundi-la. Desta maneira as pessoas escutam, se conscientizam, evoluem, se transformam (ou não), e entendem do que se trata. Não se estancam. Podemos semear nelas novos paradigmas, e não só no campo da ética. Não corremos o risco de porventura haver sugerido algo que signifique um aumento no sofrimento e na morte de animais, caso a pessoa escolha aumentar o consumo dos produtos animais ao deixar de comer seus corpos.

Sabemos que a difusão do vegetarianismo é lógica para aqueles que aceitam o uso de animais de forma “humanitária”, posição muito diferente à do abolicionismo. Fazemos um chamado aos defensores dos direitos animais para que nos ajudem a mudar o paradigma da exploração animal, tão enraizada nesta sociedade, onde se ensina a demanda pelo sofrimento e morte de seres sencientes como algo normal, simplesmente pelo fato de não pertencerem à espécie humana. Por isso, a Ánima difundirá sempre o veganismo como ponto de partida de uma luta por justiça e igualdade.

2009

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