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Seiva e Sangue: outras vidas, outras mortes
© Tradução: Regina Rheda
Equiparar a vida animal à vegetal é um dos recursos aos quais os onívoros-carnívoros apelam para tentar relativizar o sofrimento e o assassinato dos animais usados na nossa comida. É como se esses onívoros se resignassem ao mal (segundo eles, necessário) que acomete o ser humano condenado a viver no topo da cadeia alimentar “natural”. Eles argumentam: Uma postura ética que considere moralmente todos os seres sencientes implicaria, então, em se deduzir, a partir desses argumentos, que é necessário nos tornarmos frugívoros (por exemplo) – conclusão a que esses onívoros estão longe de chegar. Ou eles não se importam em ser a causa do sofrimento do outro, ou eles não estão bem informados quanto a esta opção de dieta (frutos, sementes, etc.), ou consideram que matar o outro para subsistir é algum tipo de mandamento divino. O que não dá para compreender, conforme um raciocínio lógico, é como uma crítica ao mais pode partir do menos. Ou seja: Como alguém pode criticar ou rejeitar o veganismo – que evita o sofrimento animal – se esse alguém contribui para o sofrimento animal e o vegetal, matando tanto animais quanto vegetais? O gato brinca com uma batata e ninguém acredita realmente que matar o gato e fazer purê de batata sejam a mesma coisa. Isso não significa negar a qualidade de ser vivo ou de ser portador de um dinamismo próprio de tudo que está vivo. Mas um ser vivo não é necessariamente um ser capaz de sofrer. O tipo de argumento que estamos discutindo é defensivo e é usado por aqueles que crêem que a melhor defesa é o ataque. Os carnívoros se sentem incomodados quando os veganos os fazem se lembrar de que a carne em seu prato era um animal com vontade de viver. Um gato não é o mesmo que uma batata principalmente porque o vegetal não tem:
Nada disso elimina o fato de que o vegetal responde enérgica e quimicamente para se defender e sobreviver. Um gato não é o mesmo que uma batata porque o animal, com um sistema nervoso parecido com o nosso, tem emoções, relações familiares e, sobretudo, interesses básicos semelhantes aos do animal humano. Por isso, entrar em uma granja de criação intensiva ou em um matadouro imprime memórias amargas e provoca pesadelos em qualquer mente com um mínimo de sensibilidade – o que não ocorre, por exemplo, quando se vêem milhares de tomates reluzentes em uma área em que se pratica a agricultura intensiva hidropônica no estilo japonês. Resumindo: Publicado na revista de A. L. A.: Alternativa para a Libertação Animal, Espanha. Inverno 2001 2007 Copyright © Ánima — Direitos reservados | Informação legal
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