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Uma resolução de ano novo
Centro de estudos
para a teoria e prática
dos Direitos Animais
©
Gary L. Francione
© Ediciones Ánima. Tradução: Regina Rheda.
Texto pertencente ao Blog pessoal de Gary Francione
3 de janeiro de 2007
Feliz ano novo.
Tomemos a resolução de que 2007 será um ano em que o movimento pelos direitos animais continuará a se transformar em um movimento social e político sério, apesar de nós termos de lidar com os obstáculos colocados em nosso caminho pelos chamados “líderes” do movimento. Esses “líderes” banalizaram o problema da exploração animal e têm sido uma vergonha para aqueles de nós que estão tentando viabilizar um discurso social sério sobre as nossas obrigações morais e legais para com os animais não-humanos.
Considere alguns dos literalmente milhares de exemplos:
- Esses “líderes” proclamaram que é aceitável matar crianças deficientes e dar menos valor aos deficientes também de outras maneiras.
- Esses “líderes” disseram que nós podemos ter relações sexuais “mutuamente satisfatórias” com animais não-humanos.
- Eles cometeram, com as próprias mãos, violência contra animais não-humanos a fim de poderem “investigar” a exploração animal.
- Eles defenderam a vivissecção.
- Eles nos aconselharam a não ser “fanáticos demais insistindo em ter uma vida puramente vegana” e nos disseram que podemos viver eticamente sendo “onívoros conscienciosos”.
- Eles elogiaram publicamente um executivo-chefe cuja corporação fatura milhões de dólares vendendo carnes e outros produtos animais produzidos de modo supostamente “humanitário”, e o honraram em uma conferência que homenageou os “indivíduos exemplares que ousaram desafiar o status quo e assumir a causa dos oprimidos”.
- Eles formaram alianças para criar um selo a fim de assegurar aos consumidores que os “produtos com ovo, laticínio, frango ou carne de vaca” que portarem esse selo “foram produzidos tendo-se em mente o bem-estar dos animais da fazenda”.
- Eles mataram milhares de animais não-humanos em nome dos “direitos animais”, e se opuseram aos abrigos que não matam e à prática conhecida como capturar, esterilizar e devolver.
- Eles proclamaram que uma projetista de matadouros e consultora da indústria da carne é uma “visionária” devido a seus esforços para manter a indústria da carne funcionando com “segurança, eficiência e lucratividade”.
- Eles reduziram as importantes questões da exploração animal a imagens sexistas e a piadas bobas e grosseiras, e dessa forma eles alienaram outras pessoas progressistas que deveriam ser nossas aliadas.
- Salvo raríssimas exceções, o que é muito preocupante, eles não condenaram clara e inequivocamente a posição daqueles que defendem a violência contra outros humanos.
Etc, etc, etc.
Quem sabe? 2007 talvez vá ser o ano em que os “líderes” do movimento vão declarar que é aceitável ter relações sexuais “mutuamente satisfatórias” com crianças deficientes antes de matá-las, contanto que primeiro ofereçamos a elas um hambúrguer produzido “humanitariamente”. O desfile previsível de bajuladores irá correndo defender essa declaração, e quem discordar será rotulado de “divisionista” e acusado de ameaçar a “unidade” do movimento ou de “prejudicar os animais”. Afinal de contas, eles defenderam todo o resto, até agora.
Ou então 2007 talvez seja o ano em que veremos continuar a se desenvolver um movimento de base emergente, fundamentado firme e inequivocamente no veganismo e dedicado a educar o público sobre a abolição da exploração animal de uma maneira positiva, interessante, inteligente, coerente, não-sexista, não-violenta.
Se escolhermos este último caminho, as pessoas realmente poderão começar a levar a idéia dos direitos animais a sério, parando de nos ver como um movimento sobre “carne humana”, autopromoção incessante e espetáculos grotescos de mídia, ou como um movimento que defende, como faziam os nazistas, a idéia que de algumas vidas não merecem ser vividas.
Seria um sopro de ar fresco.
2008
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