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Libertação > Abordagen > Francione Sobre vivissecção e violência
© Gary L. Francione © Tradução: Regina Rheda © 2009 Ediciones Ánima Caros(as) colegas: Hoje, no Mail Online, que é a edição na internet do Daily Mail, um jornal do Reino Unido, há um artigo fascinante sobre a vivissecção, escrito pelo Dr. Danny Penman, um ex-bioquímico pesquisador que agora trabalha com jornalismo científico para a New Scientist e o Daily Mail. Penman deixa claro que ele apoia a vivissecção:
Fora o fato de que a maioria das pessoas, se numa situação em que fossem forçadas a fazer uma escolha, sacrificariam a vida de incontáveis outros humanos para salvar aqueles que lhes são próximos (portanto a questão animal não vem ao caso), Penman ainda expressa a preocupação de que, ao longo do ano passado, houve um aumento de meio milhão de animais usados em laboratórios na Grã-Bretanha, e que o número de animais usados para pesquisa lá, agora, está no patamar de 3.7 milhões. Penman sustenta que algum uso de animais é necessário, mas argumenta que a vivissecção pode, na realidade, pôr a saúde humana em perigo. Ele cita a revista New Scientist noticiando que os resultados da vivissecção “não são mais informativos do que tirar cara ou coroa”, e embora ele, Penman, não vá tão longe assim, ele realmente concorda que “na melhor das hipóteses, a vivissecção não é confiável; na pior, ela é letal”. Ele cita alguns exemplos em que drogas que foram testadas em animais sem provocar nenhuma reação adversa deixaram humanos criticamente doentes e causaram sua morte. Ele argumenta a favor das novas tecnologias que não envolvem animais e que são muito mais confiáveis. A crítica de Penman à vivissecção é absolutamente notável, dado que ele apoia a vivissecção. Não consigo lembrar da última vez que vi um ensaio assim. Talvez a falta de críticas à vivissecção seja explicada por uma outra observação de Penman:
Penman está absolutamente certo. Por causa de um grupo relativamente pequeno de pessoas que promovem a violência contra os vivissectores, questionar ou debater a vivissecção, mesmo no contexto acadêmico, é um convite a que se tenha o ponto de vista descartado como parte de uma agenda extremista ou violenta. Essa observação não se aplica à vivissecção apenas, mas às questões animais em geral. As ações de um pequeno número de pessoas permitiram que uma imprensa reacionária, juntamente com exploradores institucionais que prefeririam não ter nenhuma discussão sobre esses temas, criasse a impressão de que aqueles que se opõem à exploração animal geralmente são misantropos violentos que valorizam a vida animal mas não se importam com a vida humana. Não devemos permitir que essa caracterização prevaleça. Como vocês sabem, eu me oponho a toda violência, baseado na questão moral. (Vejam, por exemplo, Um comentário sobre a violência e Mais sobre violência e direitos animais). Eu aceito o conceito de Ainsa. A violência contra exploradores institucionais não é apenas imoral, como também incoerente —não faz sentido. Os exploradores institucionais não são “o inimigo”. Somos nós que queremos produtos animais, somos nós os responsáveis pela demanda desses produtos. Se parássemos de consumi-los, os usuários institucionais mudariam seu capital para outro lugar. Somos nós que continuamos a acreditar no mito de que a vivissecção nos proporcionará vidas mais longas e melhores e, como resultado disso, continuamos apoiando a vivissecção, até por não exigirmos dos nossos políticos que eles assegurem que sejam usadas as alternativas mencionadas por Penman, e que outras sejam desenvolvidas. Muitas pessoas ligadas à causa animal nem sequer são veganas, e estão dispostas a tolerar e apoiar a tortura de animais não-humanos simplesmente porque gostam do sabor dos produtos animais, e não conseguem desistir do queijo, do sorvete ou sejam lá quais forem os produtos animais que elas comem. Em quê essas pessoas são diferentes, no sentido moral, dos vivissectores? Pelo menos alguns vivissectores pensam que estão fazendo algum bem para a sociedade. Como indiquei nos meus escritos, eu não concordo que o uso de animais seja necessário como uma questão empírica e, assim como Penman e outros, sustento que a vivissecção é, com frequência, claramente contraproducente. De fato, diferentemente de Penman, eu concordo com a declaração que ele atribui à New Scientist: os resultados da vivissecção “não são mais informativos do que tirar cara ou coroa”. Mesmo se esse não fosse o caso, e mesmo que a vivissecção fosse útil em algum sentido, ela ainda não poderia ser justificada moralmente. Mas os não-veganos apoiam a exploração simplesmente por causa do capricho do sabor. Eles não têm nenhuma desculpa. Eu certamente esperaria que ninguém promovesse a violência contra todos os não-veganos, particularmente considerando-se que isso incluiria uma parte muito grande daquilo a que as pessoas se referem como o “movimento de defesa animal”! Sendo esse o caso, e independente de vocês compartilharem, ou não, a minha rejeição geral à violência, o fato é que escolher determinados exploradores institucionais, sejam eles fazendeiros ou vivissectores, simplesmente não faz o menor sentido. Convoco todos os defensores dos animais a rejeitarem a violência, inequivocamente e sem reservas. O movimento pelos direitos animais faz sentido apenas como um movimento de paz e não-violência. Disse Gandhi:
Se quisermos ver um mundo em que não haja violência contra os mais vulneráveis, devemos, nós mesmos, nos tornar não-violentos e apresentar nossos pontos de vista de um modo não-violento. A não-violência começa com nosso próprio veganismo e nosso uso de maneiras criativas, não-violentas, de educar os outros sobre o veganismo. Posts relacionados:
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