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O vegetarianismo como uma “porta de entrada” para o veganismo?

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© Gary L. Francione

© Tradução: Regina Rheda © 2009 Ediciones Ánima
Texto pertencente ao Blog pessoal de Gary Francione
7 de agosto de 2009

Caros(as) colegas:

Bem-vindos(as) aos Comentários de abordagem abolicionista.

Os Comentários consistirão de uma série de podcasts que discutem e exploram diferentes aspectos da ideia de que temos de abolir, e não meramente regulamentar, a exploração animal. Os Comentários refletirão ideias contidas neste website e em meus livros.

Os animais são pessoas não-humanas e não podemos justificar moralmente o fato de tratá-los como recursos dos humanos. Além disso, como os animais são propriedade ou mercadoria, a regulamentação do tratamento dos animais custa dinheiro, e as regulamentações do bem-estar animal quase nunca oferecem uma proteção significativa aos interesses dos animais. De modo geral, as regulamentações bem-estaristas na verdade tornam o uso de animais mais lucrativo porque as regulamentações implementadas são aquelas que resultam em um benefício econômico para os produtores e os consumidores. Os Comentários de abordagem abolicionista discutirão por que as reformas bem-estaristas não funcionam, nem podem funcionar, para proporcionar proteção aos animais não-humanos.

Os Comentários de abordagem abolicionista promoverão o veganismo ético e a educação vegana não-violenta criativa como as principais formas de ativismo para progredirmos na direção da abolição do uso de animais. O veganismo ético vai além de não comer produtos animais; ele rejeita o uso de animais para vestuário ou o uso de produtos que contenham ingredientes animais ou que  tenham sido testados em animais. Não há nenhuma distinção, no plano moral, entre a carne e os outros produtos animais. Todos os produtos animais envolvem sofrimento e morte de animais.

Os Comentários de abordagem abolicionista explorarão a noção de “direitos animais”. Embora haja muita controvérsia sobre quais os direitos que os humanos deveriam ter, todos nós nos opomos à escravidão humana ou a tratar os humanos como propriedade. A abordagem abolicionista sustenta que negar esse direito –o direito de não ser tratado como nossa propriedade– aos não-humanos sencientes não pode ser justificado moralmente. Isso significa que devemos parar de trazer animais domesticados à existência. Devemos cuidar daqueles que estão aqui agora, mas não devemos trazer mais nenhum outro à existência. Devemos deixar os animais não domesticados em paz e parar de invadir ou destruir seus habitats.

Os Comentários de abordagem abolicionista procurarão explorar nossa “esquizofrenia moral” ou o modo enganado, confuso, de abordamos a ética animal. Todos nós concordamos que é errado infligir sofrimento e morte “desnecessários” aos animais não-humanos. Se “necessidade” tem um significado coerente, deve significar, pelo menos, que é errado infligir sofrimento e morte aos animais não-humanos por razões de prazer, diversão ou conveniência. Mas a esmagadora maioria dos usos que fazemos de animais só pode ser justificada pelo prazer, a diversão ou a conveniência. Muitos de nós vivemos com animais não-humanos que consideramos membros de nossas famílias. Mas enfiamos garfos em outros animais que não diferem, nem factual nem moralmente, dos não-humanos que amamos.

Os Comentários de abordagem abolicionista também discutirão a questão da violência e explicarão por que o movimento para abolir a exploração animal deve ser parte de um movimento maior pela Ainsa, ou a não-violência. Todos os humanos exploram os animais de um modo ou de outro. Portanto, a violência contra os usuários institucionais de animais não faz sentido. Os usuários institucionais de animais e os produtores de produtos animais não são o problema; o problema é o público, que é o responsável pela demanda de produtos animais. Se for para a exploração animal ser abolida algum dia, temos de educar as pessoas de um modo não-violento e desviar o paradigma moral do tratamento dos animais como propriedade.

Finalmente, os Comentários de abordagem abolicionista tratarão da importante relação entre os direitos animais e os direitos humanos, e explorarão o porquê de não devermos usar o sexismo, o racismo e outras formas de discriminação para promover os direitos animais.

Neste primeiro Comentário, discuto se devemos promover o vegetarianismo como uma “porta de entrada” para o veganismo. Concluo que a resposta é “não”.

Em essência: se você é vegetariano, você ainda participa da imposição de sofrimento aos animais; você ainda participa da matança dos animais.

Se você considera os animais como pessoas morais não-humanas, por que você participaria da imposição de sofrimento e morte aos animais?

Espero que vocês achem estes Comentários e nossos esforços futuros úteis para suas reflexões sobre a ética animal.

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2009

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