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O heterossexismo é diferente?
© Gary L. Francione © Tradução: Regina Rheda © Ediciones Ánima Desde que inauguramos o novo website, tenho recebido dúzias de perguntas por dia. Infelizmente não tenho condições de dar respostas personalizadas a todas elas, mas aprecio o interesse de vocês pela abordagem abolicionista. Entretanto, há algumas perguntas que me sinto obrigado a responder, porque elas vão diretamente ao encontro da filosofia que estou tentando difundir. Na semana passada, alguém me escreveu o seguinte:
Não é a primeira vez que vejo expressarem essa posição, e gostaria de comentá-la e explicar a razão pela qual eu penso que o heterossexismo não se distingue do racismo e do sexismo. Primeiro, aqueles que defendem o racismo ou o sexismo afirmam que há diferenças “naturais” entre brancos e pessoas de cor, ou entre homens e mulheres, diferenças essas que justificam um tratamento discriminador e tornam “antinatural” a igualdade de raças ou de sexos. Isto é, os racistas e os sexistas não consideram seus pontos de vista arbitrários; eles acham que suas opiniões preservam uma ordem “natural”, baseados numa suposta superioridade empírica dos brancos ou na superioridade das pessoas do sexo masculino. Segundo, o heterossexismo é semelhante ao racismo e ao sexismo pois exclui os gays e as lésbicas da comunidade moral, baseado numa orientação sexual que é considerada “antinatural” pelos heterossexuais, os quais vêem na heterossexualidade uma orientação sexual superior. Algumas pessoas alegam que ser gay ou lésbica é “antinatural” porque os relacionamentos homossexuais não podem resultar em nascimento de crianças. Há muitas maneiras de os casais de gays e de lésbicas se tornarem pais ou mães. Da mesma forma, há muitos casais de heterossexuais que, para se tornar pais e mães, se valem de tecnologias de reprodução, da adoção ou da gravidez de substituição. Além do mais, há muitos heterossexuais que não podem ter filhos ou escolhem não tê-los. Há alguma coisa de “antinatural” no fato de eles terem relacionamentos a despeito de sua limitação ou de sua escolha? É extraordinário que, mesmo hoje em dia, ainda se escute aquela velha história do “recrutamento”—a alegação de que os gays e as lésbicas são mais propensos a impor sua orientação às outras pessoas, particularmente às crianças. Essa alegação não tem nenhum fundamento empírico; na realidade, o que ocorre é o oposto. Eu não me recordo de nenhuma instância em que, no meu tempo de estudante, um professor ou uma professora homossexual tenha “dado em cima” de um aluno ou uma aluna; mas, eu me lembro de várias instâncias em que professores heterossexuais do sexo masculino tiveram uma conduta absolutamente inaceitável para com as alunas. Em muitos sentidos, o argumento de que os gays e as lésbicas “recrutam” os jovens é análogo ao argumento, defendido em um passado não muito distante, de que os homens de cor “cobiçam” as mulheres brancas e pegarão todas elas se nós não garantirmos a segregação. Finalmente, há aqueles que vêem a orientação gay/lésbica como “antinatural” por razões religiosas. O problema dessa posição é que a escravidão, a opressão às mulheres e quase todas as outras formas de discriminação também se apóiam em várias doutrinas religiosas ou, pelo menos, em certas interpretações dessas doutrinas. Lembrem-se de que a Bíblia foi usada como uma das principais fontes para a justificação da escravidão humana. Portanto, mantenho minha opinião de que a discriminação de espécie não é diferente do racismo, do sexismo e do heterossexismo. Mas, isso me lembra o quanto ainda precisa ser feito para que se desmantelem as sólidas estruturas de preconceito da nossa sociedade. 2008 Copyright © Ánima — Direitos reservados | Informação legal
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