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Libertação > Abordagen > Francione O contexto faz toda a diferença
© Gary L. Francione © Tradução: Regina Rheda © 2009 Ediciones Ánima Caros(as) colegas: O professor Gary Steiner me alertou sobre um interessante vídeo da Onion News Network. O vídeo envolve uma “notícia” sobre uma jovem ginasta submetida à “eutanásia” por seus pais, depois de sofrer um ferimento sem gravidade, mas que afetaria sua carreira. Ao aplicarmos, a um contexto envolvendo um ser humano, a linguagem que ouvimos quando os cavalos de corrida machucados são sacrificados, temos um interessante insight sobre como mesmo as pessoas que dizem “amar” os animais frequentemente os tratam como coisas ou mercadorias, encarando-os exclusivamente como meios para nossos fins. Também ouvimos expressarem a ideia de que o problema é o sofrimento e que, contanto que a imposição da morte seja indolor, nenhuma questão moral, separada dessa, é suscitada. Isto é, o ato de matar, em si, não resulta em dano. Vemos o problema facilmente, quando aplicamos isso ao contexto humano. Mesmo se você matasse um humano de maneira indolor, e o fizesse enquanto ele estivesse dormindo e inconsciente de sua morte iminente, você estaria causando dano a essa pessoa. Não há dúvida de que você lhe causaria mais dano se primeiro a torturasse e depois a matasse. Mas você realmente já lhe causa dano só pelo fato de matá-la sem dor nem sofrimento. Quando se trata de animais, a maioria de nós não vê esse ponto. Nós pensamos que o problema é o sofrimento –não a morte. Pensamos que seja aceitável usarmos animais, contanto que os tratemos de modo “humanitário”. Essa é a premissa da abordagem do bem-estar animal: é moralmente aceitável, para os humanos, usar animais, contanto que minimizemos o sofrimento envolvido no uso. Essa ideia é promovida por muitos defensores dos animais, e eu já discuti isso neste blog (ver este ensaio, por exemplo) e em meus outros escritos (é um tema central do livro Animals as Persons). É precisamente essa noção que leva muitos defensores dos animais a apoiarem campanhas para promover os ovos de aves criadas “livres de gaiolas”, em vez de gastarem seu tempo e recursos educando as pessoas sobre por que elas não deveriam comer ovos, de jeito nenhum. As campanhas por reformas bem-estaristas só fazem sentido se o uso de animais for moralmente aceitável e o problema for apenas o modo como tratamos o animal que usamos. Muitos bem-estaristas são explícitos ao afirmar que matar animais –se for de modo indolor– não suscita uma questão moral. Conforme demonstra o vídeo da Onion, consideraríamos isso um absurdo, no contexto humano. É só nosso especismo que nos torna incapazes de ver que isso é igualmente absurdo, no contexto animal. Tornem-se veganos(as) e usem meios criativos e não-violentos de ensinar os outros sobre o veganismo. 2009 Copyright © Ánima — Direitos reservados | Informação legal
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