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Existe alguma coisa que você queira tanto assim comer?

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dos Direitos Animais

 

 

© Gary L. Francione

© Tradução: Regina Rheda © 2009 Ediciones Ánima
Texto pertencente ao Blog pessoal de Gary Francione
28 de junho de 2009

Caros(as) colegas:

Nunca deixo de ficar surpreso toda vez que ouço alguém —incluindo alguns defensores do bem-estar animal bem conhecidos —afirmar, notavelmente, que os animais não têm interesse na vida continuada; eles só têm interesse em não sofrer. Eles não ligam que os usemos; eles só se importam com o modo como os usamos. Contanto que eles tenham uma vida razoavelmente indolor e uma morte razoavelmente indolor, eles não ligam se os consumimos ou consumimos os produtos feitos a partir deles. Discuti essa questão em alguns ensaios neste site (vejam, por exemplo, 1; 2; 3), assim como em meus livros e artigos. Esse será o tópico central do livro The Animal Rights Debate: Abolition or Regulation?, que escrevi em co-autoria com o professor Robert Garner e que vai ser publicado pela Columbia University Press, no outono deste ano.

A página de vídeo deste site contém dois vídeos de matadouros. Um número significativo de visitantes assistiu a esses vídeos e nos escreveu sobre eles, particularmente sobre aquele que não mostra o abate em si. Aquele vídeo, obviamente, causou um impacto em muita gente, então eu queria destacá-lo em um post do blog.

O vídeo mostra duas vacas esperando numa rampa para ser levadas à sala de abate. Um empregado vem e usa um bastão elétrico para fazer a primeira vaca entrar na sala de abate. A segunda vaca permanece atrás da porta, que fechou. É evidente que ela está aterrorizada. Ela sabe que está em perigo, e isso não é simplesmente uma questão de “instinto” (eu nem ao menos sei o que isso significa). Ela está tentando desesperadamente achar um meio de sair da rampa de abate. Ela pode não ter os mesmos tipos de pensamentos que os seres que, como nós, usam a comunicação simbólica, mas é evidente que ela tem algum tipo equivalente de cognição. Dizer que ela não tem um senso de ter uma vida transcende o absurdo.

Acho esse vídeo profundamente trágico, em muitos níveis. Assista e depois se pergunte se as organizações de defesa animal deveriam estar investindo o tempo delas e os recursos de vocês em tentar projetar matadouros “melhores” ou promover a carne “feliz”, ou se nós todos deveríamos nos engajar no veganismo e numa clara e inequívoca educação vegana não-violenta.

Aparentemente, o vídeo é de um matadouro francês. Mas isso não importa. Todos os matadouros são infernos de indizível violência contra os vulneráveis. Nunca acreditem que um lugar desse alguma vez possa ser descrito como “humanitário”, exceto por alguém que esteja profundamente confuso quanto às questões fundamentais da moralidade.

Uma pessoa que viu esse vídeo me escreveu o seguinte:

Sou vegetariano, mas estava achando difícil fazer a transição para o veganismo. Minhas duas fraquezas: sorvete e um bom queijo Cheshire. Assisti a esse vídeo. Olhei dentro dos olhos dela e respondi a pergunta que você tinha feito na sua página de vídeo: Existe alguma coisa que você queira tanto assim comer? A resposta ficou clara para mim, como nunca havia ficado. Agora sou um vegano. Também reconheci que todo esse sofrimento e morte estão acontecendo não por causa do que “eles” estão fazendo, mas por causa da demanda que “nós” criamos. Você está certo ao dizer que “as pessoas que, no final das contas, são as responsáveis por isso não são aquelas que possuem e fazem funcionar os matadouros; quem tem a responsabilidade moral, no final das contas, são as pessoas que consomem carnes e outros produtos de origem animal, criando a demanda”.

Tornem-se veganos(as). Eduquem os outros, usando meios não-violentos e criativos, sobre o veganismo.

2009

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