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Está na hora de mudar

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© Gary L. Francione

© Tradução: Regina Rheda © 2009 Ediciones Ánima
Texto pertencente ao Blog pessoal de Gary Francione
2 de agosto de 2009

Caros(as) colegas:

O bem-estar animal —a noção de que devemos tratar os animais de modo “humanitário”—tem estado entre nós por 200 anos. Não levou a nada. Estamos usando mais animais agora, e de modos mais horríveis, do que em qualquer época da história humana.

No século 19, os fundadores do bem-estar animal se opunham à escravidão humana, mas nunca se opuseram à condição dos animais como propriedade porque pensavam que, embora os animais fossem capazes de sofrer, eles não tinham interesse em suas próprias vidas. Isto é, os animais não ligam que os usemos, mas ligam apenas para como os usamos. De acordo com os bem-estaristas, os animais não têm consciência de si e não têm interesse em continuar a viver; eles só têm interesse em não sofrer uma morte dolorosa.

Então, os bem-estaristas do século 19 não defendiam a abolição da escravidão animal como defendiam a abolição da escravidão humana. Em vez disso, eles defendiam a ideia de que tivéssemos leis que exigissem o tratamento “humanitário” dos animais. O que os bem-estaristas não perceberam, entretanto, foi que enquanto os animais continuassem sendo propriedade, o nível de proteção oferecido por essas leis permaneceria necessariamente muito baixo porque proteger os interesses dos animais custa dinheiro. De um modo geral, gastaremos esse dinheiro e protegeremos esses interesses apenas quando fazer isso for resultar num benefício econômico para nós.

Nada mudou.

Os bem-estaristas do século 21 continuam afirmando que os animais não têm interesse em suas próprias vidas e que matá-los, em si, não suscita um problema moral. Peter Singer, que é o moderno proponente da teoria bem-estarista do século 19, declara isso explicitamente. Esse ponto de vista de que os animais não têm interesse na vida continuada explica por que a PETA não vê nenhum problema em matar 90% dos animais que resgata. Para os bem-estaristas, a morte, em si, não é um “dano”.

E, na maioria das vezes, as regulamentações do bem-estar animal apenas aumentam a eficiência econômica da exploração animal. Em outras palavras, protegemos os interesses dos animais apenas quando obtemos um benefício econômico. As campanhas bem-estaristas, como aquela pela morte de aves com atmosfera controlada e aquela pela eliminação da cela de gestação, são baseadas explicitamente na eficiência econômica. Isto é, essas reformas são promovidas com base no fato de que elas promoverão a eficiência da produção.

Após 200 anos de uma doutrina que é especista (a vida animal não-humana, em si, não tem nenhum valor moral) e que demonstrou ser inútil em termos práticos, está na hora de mudar.

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