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Êi, isso na sua balaclava é leite?

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dos Direitos Animais

 

 

© Gary L. Francione

© Tradução: Regina Rheda © 2009 Ediciones Ánima
Texto pertencente ao Blog pessoal de Gary Francione
1 de setembro de 2009

Caros(as) colegas:

Como vocês sabem, eu me oponho a toda violência. Vejam, por exemplo, Um Comentário no podcast sobre a violência, Um comentário sobre a violência, Mais sobre violência e direitos animais e Sobre vivissecção e violência. Há muitos anos que esse é um tema consistente em meu trabalho. Eu me oponho a toda violência —inclusive a violência contra a propriedade. Quem alega que destruir uma construção ou fazer um arrombamento não resulta em dano, nem em risco de dano, a seres sencientes (tanto humanos quanto não-humanos) está simplesmente se iludindo.

Pelas razões que já declarei em inúmeras ocasiões, eu considero a violência o problema, e não uma parte da solução, e incentivo as pessoas que estiverem preocupadas com a exploração animal a se tornarem veganas e se ocupar da educação vegana não-violenta criativa.

Eu dei uma olhada no website da Animal Liberation Front, coisa que não fazia há algum tempo.

É realmente muito notável.

De acordo com o “credo” da Alf:

A Animal Liberation Front (ALF) executa ações diretas contra o abuso de animais resgatando-os e causando prejuízo financeiro a seus exploradores, normalmente por meio de danos à propriedade e destruição da mesma.

O credo também diz:

Qualquer grupo de pessoas que sejam vegetarianas ou veganas, e que execute ações de acordo com a diretriz da ALF, tem o direito de se considerar parte da ALF.

OK, deixe-me ver se entendi bem. Se você for vegetariano —se você consumir leite, sorvete, queijo, ovo, etc.— você tem a bênção da ALF para destruir propriedades em nome da ALF.

Agora: eu não acho que você deveria estar usando violência, mesmo você sendo vegano; mas é para lá de desconcertante, para mim, o fato de que alguém possa dizer que pessoas que estejam, elas próprias, ativamente envolvidas na exploração animal possam pensar que seja sequer aceitável a ideia de que devam praticar atos de violência contra outras pessoas envolvidas na exploração animal.

Mas esperem. Ainda tem mais. Há um link para a Saints Alive, uma seção que apresenta várias celebridades e figuras públicas não-veganas (ou não-vegetarianas), incluindo as que promoveram ou endossaram produtos animais.

E eles têm links para quase todas as organizações bem-estaristas que promovem as carnes/produtos animais “felizes”.

Então, gente que explora animais e apoia outros exploradores de animais diz ser militante com direito a usar violência contra outros exploradores de animais. O nível de confusão aqui é profundo. Muito profundo.

Argumentei, com frequência, que quem apoia a violência não pode afirmar, coerentemente, que temos de dirigir ataques contra os exploradores institucionais, porque somos nós, os consumidores, que criamos a demanda por produtos animais. A solução é a educação para trocar o paradigma moral. Não há nenhuma outra solução realista. O pessoal pró violência fica violentamente zangado quando eu defendo esse argumento e me chama de tudo quanto é nome, e, infelizmente, alguns deles ameaçam e atormentam aqueles que expressam apoio à não-violência.

Agora entendo por quê. Todos eles teriam de vestir suas balaclavas e cometer violência uns contra os outros, se aceitassem minha posição.

Tornem-se veganos(as). É fácil; é melhor para vocês; é melhor para o planeta; e o mais importante é que é a coisa moralmente certa a fazer. E, pelo menos na minha opinião, o veganismo ético é um compromisso com a não-violência.

2009

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