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Libertação > Abordagen > Francione E ainda outro exemplo de esquizofrenia moral
© Gary L. Francione © Tradução: Regina Rheda © 2009 Ediciones Ánima Caros(as) colegas: Há muitos anos que venho usando a expressão “esquizofrenia moral” para descrever a maneira confusa, equivocada, de os humanos pensarem sobre o status moral dos animais não-humanos. Hoje de manhã, vi um exemplo de esquizofrenia moral que até eu achei absolutamente notável. A Associated Press está dando a notícia: Os grandes tubarões brancos caçam exatamente como Hannibal Lecter. De acordo com a notícia, pessoas que, aparentemente, são consideradas cientistas, afirmam:
Agora, pensemos um pouco sobre isso. Os animais não-humanos são como assassinos seriais porque caçam estrategicamente e porque tomam decisões deliberadas quanto àquilo que vão comer. Isso é uma piada ou o quê? Os caçadores humanos também não fazem a mesma coisa? Claro que fazem. Curiosamente, o artigo declara:
Mas a maioria dos caçadores humanos não está caçando a fim de sobreviver; eles caçam porque gostam de perseguir e matar. Isso não faz com que eles sejam mais como assassinos seriais, conforme a definição do termo dada pelo próprio artigo? Certamente me parece que essa seja a lógica inescapável do artigo. O fato de os animais não-humanos agirem estrategicamente para obter comida não os distingue do caçador humano —nem, aliás, do comprador humano que toma decisões quanto à comida, enquanto percorre as alas do supermercado. Além do mais, o comportamento do tubarão (e outros não-humanos), que observa e persegue silenciosamente a presa, atacando-a à espreita, é uma evidência muito forte de que os animais não-humanos são cognitivamente sofisticados e capazes de pensar racionalmente. Conforme vocês sabem, minha teoria dos direitos animais requer somente que os não-humanos sejam sencientes, para ser membros integrais da comunidade moral. Nenhum outro atributo cognitivo é necessário. Isto é, contanto que os animais sejam perceptualmente conscientes e capazes de sentir dor, nós temos a obrigação moral de não tratá-los como recursos dos humanos. Mas os comportamentos como esse do tubarão certamente indicam que a filosofia ocidental, que tradicionalmente negou o pensamento racional dos animais, simplesmente está errada. Na verdade, a análise desse comportamento, feita por esses pesquisadores, é uma evidência convincente de que alguns humanos não têm a capacidade de pensar racionalmente. Para nos sentirmos “superiores” e perpetuar a fantasia de que os não-humanos são o “outro”, nós dizemos que uma atividade que caracteriza nosso próprio comportamento é análoga (e, no caso dos caçadores humanos, a analogia é muito mais apropriada) à atividade de um “assassino serial”. Isso é um perfeito exemplo de pensamento confuso, equivocado; é isso que eu quero dizer quando falo em esquizofrenia moral. 2009 Copyright © Ánima — Direitos reservados | Informação legal
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