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Carne feliz e sexismo
© Gary L. Francione © Tradução: Regina Rheda © 2009 Ediciones Ánima Caros(as) colegas: Esta manhã fiquei sabendo de duas coisas que realmente dizem muito sobre o infeliz estado em que se encontra o chamado “movimento de proteção animal”. A primeira foi um artigo do Times of London. A autora, Tessa Williams, proclama que, depois de ter sido vegetariana durante 25 anos, está comendo carne de novo. Ela ressalta que não é “a única ferrenha vegetariana a ter abandonado toda uma vida de devoção a grãos e tofu, no ano passado. A Food Standards Agency da Grã-Bretanha declara que o número de pessoas com uma dieta parcial ou completamente vegetariana caiu de 9% em 2007 para 7% em 2008”. A razão para Williams voltar a comer carne:
O artigo termina com uma seção fornecendo instruções passo a passo quanto a “como se tornar um carnívoro renascido”. É nisso que está dando o movimento carne/produtos animais felizes. E certamente não apenas na Grã-Bretanha. Nos Estados Unidos, as organizações de proteção animal promovem iniciativas como a Proposição 2 da Califórnia, que não vão fazer nada para ajudar os animais mas vão assegurar aos humanos, falsamente, que os animais estão recebendo uma proteção “humanitária” significativamente melhor. A premissa subjacente ao moderno movimento de “proteção animal” é que é aceitável que os humanos usem animais, contanto que os tratem de modo “humanitário”. Pode ser que quem apoia essa posição queira um tratamento melhor do que queriam os bem-estaristas dos anos 1940s ou 1950s, porém o princípio é o mesmo: não é o uso que importa, mas apenas o tratamento. Essa é uma diferença fundamental entre a abordagem abolicionista e a abordagem adotada pelas grandes organizações neobem-estaristas. A postura abolicionista rejeita todo uso de animal e vê a educação vegana criativa e não-violenta como a principal estratégia a se empregar. A segunda coisa envolve a recusa da NBC a transmitir o anúncio Veggie Love, da PETA, durante a final do campeonato de futebol americano deste ano, porque o anúncio, que apresenta modelos em vários estágios de seminudez acariciando a si mesmas e fazendo outras coisas com vegetais de maneira sugestiva, e que afirma que “vegetarianos têm mais prazer no sexo”, é explícito demais, sexualmente. Não está claro, para mim, por que a PETA e aqueles que acham que esse tipo de coisa é aceitável não reconhecem que o sexismo está estreitamente ligado ao especismo. Enquanto continuarmos a tratar as mulheres como objetos ou mercadorias, continuaremos tratando os animais não-humanos como objetos ou mercadorias. O sexismo não é apenas inerentemente condenável; é também um meio ineficaz de se tentar aumentar a conscientização sobre os animais não-humanos. A PETA tem feito sua campanha sexista contra peles por quase 20 anos. Será que a campanha teve algum efeito? A indústria de peles está mais forte do que jamais esteve. Além disso, os anúncios veiculados durante a final do campeonato de futebol americano são caríssimos. Fora os outros problemas suscitados pelo comercial da PETA, como é que alguém pode pensar que se trata de um bom uso de dinheiro? Como é que a PETA pode matar 85% dos animais que recolhe, quando aparentemente tem dinheiro para desperdiçar na produção e veiculação de anúncios de mulheres nuas lambendo abóboras e parecendo se masturbar com vegetais? Por favor, não me entendam mal. Eu não estou dizendo que os grupos como a PETA, a HSUS e demais corporações bem-estaristas não pensem que estão fazendo a coisa certa. Na verdade, tenho certeza de que pensam que estão. No meu modo de ver, eles estão equivocados. 2009 Copyright © Ánima — Direitos reservados | Informação legal
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