![]() |
|
|||
Libertação > Abordagen > Francione “Animais de estimação”
© Gary L. Francione © Tradução: Regina Rheda © 2009 Ediciones Ánima Caros(as) colegas: A questão dos “animais de estimação” provoca reações acaloradas entre muitos defensores dos animais. Eis uma coisa que escrevi no apêndice do meu livro Introduction to Animal Rights: Your Child or the Dog?: Pergunta 3: A instituição da propriedade de animais de estimação viola o direito básico dos animais a não serem considerados coisas? Resposta: Sim. Os animais de estimação são nossa propriedade. Cães, gatos, hamsters, coelhos e outros animais são produzidos em massa, feito pinos em uma fábrica, ou, como é o caso de pássaros e animais exóticos, são capturados na natureza e transportados por longas distâncias, em viagens durante as quais muitos deles morrem. Os animais de estimação são comercializados exatamente como as outras mercadorias. Embora haja algumas pessoas que talvez tratem bem seus animais de companhia, há mais pessoas ainda que tratam os delas mal. Nos Estados Unidos, a maioria dos cachorros não vive sequer dois anos em um lar, e já é largada em um abrigo ou passada para outro dono; mais de 70% das pessoas que adotam animais acabam dando-os para alguém, levando-os para abrigos ou abandonando-os. Todos nós sabemos de casos de horror em que cães ficam presos por correntes curtas durante a maior parte da vida, sozinhos. Nossas cidades estão repletas de gatos e cães de rua que têm vidas deploráveis, passam fome ou frio, sucumbem a doenças, ou são maltratados por humanos. Há pessoas que dizem que amam seus animais de companhia e, insensatamente, os mutilam, mandando recortar suas orelhas, decepar seus rabos, arrancar suas unhas para que eles não arranhem os móveis. Pode ser que você trate seu animal de companhia como um membro da sua família e efetivamente lhe confira valor inerente ou o direito básico de não ser tratado como seu recurso. Mas esse tratamento que você lhe dá significa, na realidade, que você considera que sua propriedade animal tem um valor mais alto do que o valor de mercado; se você mudar de idéia e espancar seu cachorro diariamente com o propósito de discipliná-lo, ou se não alimentar seu gato para que ele fique mais motivado a caçar os ratos no porão da sua loja, ou se matar seu animal porque não quer mais ter despesa com ele, sua decisão será protegida pela lei. Você tem a liberdade de dar o valor que quiser à sua propriedade. Você poderá decidir fazer o polimento do seu carro com frequência, ou poderá deixar a pintura se desgastar. A escolha é sua. Contanto que você dê um mínimo de manutenção ao seu carro para que ele passe na inspeção, qualquer outra decisão que você tomar quanto ao veículo, incluindo a de dá-lo a um ferro-velho, é problema seu. Contanto que você dê um mínimo necessário de comida, água e abrigo ao seu animal de estimação, qualquer outra decisão que você tomar quanto a ele, exceto a de torturá-lo sem qualquer propósito que seja, é problema seu, incluindo a decisão de largar seu animal num abrigo (onde muitos animais são ou mortos ou vendidos à pesquisa) ou de providenciar a morte dele pelas mãos de um veterinário. Há muitos anos adotei um hamster de uma colega de classe na faculdade de Direito. Uma noite o hamster adoeceu e eu telefonei a um atendimento veterinário de emergência. O veterinário disse que o preço mínimo de uma consulta de emergência era 50 dólares e me perguntou por que eu estaria querendo gastar isso quando poderia comprar um “novo” hamster em qualquer pet shop por uns 3 dólares. De todo modo eu levei o hamster ao veterinário, mas aquele acontecimento foi uma das primeiras vezes em que tomei consciência da condição dos animais como mercadoria. Moro com sete companheiros caninos salvos do abandono e os amo muito, então este assunto, para mim, não é brincadeira. Embora eu considere meus companheiros como membros da minha família, eles continuam sendo minha propriedade e, um belo dia, eu poderia resolver providenciar a morte de todos. Por mais que eu goste de morar com cachorros, mesmo se restassem somente um cão e uma cadela no mundo, eu não seria a favor de fazê-los se reproduzir a fim de podermos ter mais “animais de estimação” e assim perpetuar sua condição de propriedade. Na verdade, qualquer pessoa que realmente se importe com cachorros deveria visitar uma “fábrica de filhotes”– um lugar onde cachorros são reproduzidos às centenas, ou aos milhares, e tratados como meras mercadorias. As cadelas são forçadas a dar cria repetidas vezes, até ficarem “gastas”, e depois são ou mortas ou vendidas à pesquisa. É claro que devemos cuidar de todos os animais domésticos que estão vivos no presente momento, mas não deveríamos continuar a trazer outros animais à existência a fim de poder possuí-los como animais de estimação. Neste segundo Comentário de abordagem abolicionista, exploraremos a questão dos “animais de estimação”. Podcast: Play in new window | Download Posts relacionados2009 Copyright © Ánima — Direitos reservados | Informação legal
|
|