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Libertação > Abordagen > Francione Alguns pensamentos sobre a abordagem abolicionista
© Gary L. Francione © Tradução: Regina Rheda © 2009 Ediciones Ánima Caros(as) colegas: Aqui estão alguns pensamentos simples que expressam a abordagem e filosofia abolicionista. Eles podem ser úteis a vocês, tanto em suas próprias reflexões sobre as coisas quanto em suas discussões com outras pessoas: 1. O especismo é moralmente objetável porque, como o racismo, o sexismo e o heterossexismo, vincula a condição de pessoa a um critério irrelevante. Explicação: Não objetamos ao especismo num vácuo. Nós o rejeitamos porque ele é como outras formas de discriminação. O que todas as formas de discriminação têm em comum é o uso de um critério irrelevante para excluir pessoas da comunidade moral, negar a essas pessoas a integração completa à comunidade moral. Os racistas desvalorizam as pessoas de raças diferentes baseados somente na cor da pele; os sexistas desvalorizam as mulheres somente por causa do sexo e gênero; os heterossexistas negam a integração completa à comunidade moral aos gays, lésbicas, transgêneros, etc., baseados simplesmente na orientação sexual. Os especistas negam a integração completa à comunidade moral baseados somente na espécie. Todas essas formas de discriminação são moralmente injustificáveis. Rejeitamos o especismo porque ele não se distingue dessas outras formas de discriminação. (Por favor, notem que embora Peter Singer rejeite ostensivamente o especismo, ele sustenta que, devido ao fato de os animais não-humanos não terem o mesmo tipo de mente que os humanos, eles não têm interesse em continuar a viver, e nós não lhes causamos dano se os usarmos e os matarmos de modo “humanitário”. Eu acho isso uma forma de especismo. Cliquem aqui). 2. Quem rejeita o especismo se compromete a rejeitar o racismo, o sexismo, o heterossexismo e outras formas de discriminação também. Explicação: Alguns defensores dos animais sustentam que o “movimento de defesa animal” não toma uma posição quanto a outras formas de discriminação. Isso não está correto. Aqueles de nós que querem justiça para os animais não-humanos estão necessariamente comprometidos com a justiça para os humanos, e com o fim da discriminação contra humanos assim como da discriminação contra não-humanos. O movimento de defesa animal não deveria, por exemplo, estar perpetuando o sexismo como um meio para os fins dos direitos animais. O sexismo envolve a coisificação da mulher. A coisificação é o problema, não a solução. E sim, as mulheres podem ser sexistas, do mesmo modo que pessoas de cor podem ser racistas. Mas esse sexismo e esse racismo são necessariamente diferentes porque, em nossa sociedade racista e patriarcal, essas formas de discriminação não têm, e nem podem ter, o mesmo efeito. Eu rejeito toda discriminação, mas jamais deveríamos pensar que não haja importantes diferenças aqui. E sim, as mulheres podem optar por coisificar a si próprias, assim como as pessoas de cor podem tomar parte em estereótipos racistas e perpetuá-los. Mas isso não significa que coisificar a si própria seja um “empoderamento”. Muito pelo contrário. A ideia de que coisificar a si própria é uma emancipação, um empoderamento, é uma ideia reacionária que perpetua o sexismo. 3. Veganismo é Ainsa ou não-violência; o veganismo reconhece que a não-violência começa com aquilo que você põe sobre e dentro de seu corpo. A Ainsa é o princípio de que não devemos agir de modo violento para com os outros em nosso pensamento, discurso ou ações. Mas a Ainsa não deve ser pensada como um princípio abstrato. Se ela não afetar nossa vida cotidiana, não tem utilidade. O veganismo ético representa a ideia de que a não-violência começa com aquilo que pomos dentro da nossa boca e aquilo que pomos sobre nosso corpo. Se vamos a uma concentração pela paz depois de tomar um café da manhã com bacon e ovos, e usando nossos suéteres de lã e nossos sapatos de couro, nós não estamos, eu diria, entendendo o xis da questão. 4. O veganismo é a aplicação do princípio da abolição na sua própria vida; ele representa o seu reconhecimento de que os animais não são coisas. A abordagem abolicionista dos direitos animais, conforme eu a desenvolvi ao longo das duas últimas décadas, é a de que nós não podemos justificar nenhum uso de animais –por mais “humanitário” que seja. Devemos abolir, e não regulamentar, a exploração dos animais não-humanos. A regulamentação não funciona, por razões tanto práticas quanto teóricas. Regulamentar a exploração animal por meio das reformas bem-estaristas é como regulamentar a tortura acrescentando um estofado na prancha onde se amarra a vítima para simular seu afogamento. Se a conduta for errada, devemos defender seu fim, não propor a imposição de dano de uma maneira “melhor”. E as reformas do bem-estar não funcionam em termos práticos. Os animais são propriedade; eles são mercadorias, bens econômicos. Em vista desse status e em vista da realidade dos mercados, inclusive os mercados globais, o nível de proteção proporcionado pelas leis e regulamentações do bem-estar raramente, ou nunca, se elevará acima do nível de proteção necessário para explorar os animais de um modo economicamente eficiente. Em outras palavras: não protegemos os interesses dos animais, a menos que obtenhamos um benefício econômico fazendo isso. Temos tido o bem-estar animal por mais de 200 anos e estamos explorando mais animais, em condições mais horripilantes, do que em qualquer época da história humana. Se uma pessoa defendesse a abolição da escravidão humana mas continuasse a possuir escravos, nós acharíamos que essa ação não estaria de acordo com o pensamento ou as palavras dessa pessoa. Semelhantemente, se alguém defende a abolição mas continua a consumir e usar produtos animais, há uma incoerência, uma dissonância. Ser um abolicionista é ser um vegano ético e repudiar o consumo de carnes, laticínios, mel, derivados de animais, etc., e o uso de lã, couro, peles e seda. 5. Devemos usar meios não-violentos e criativos de educar os outros sobre a abolição. A violência é o problema; não é nenhuma parte da solução. Quem defende o uso da violência contra os usuários institucionais de animais não consegue reconhecer o simples fato de que esses usuários estão apenas respondendo à demanda criada pelas outras pessoas. Os verdadeiros exploradores são aqueles que criam a demanda. Portanto, a violência contra os usuários institucionais não faz sentido. E nenhuma pessoa sensata defenderia o uso da violência contra os 99.9999% da população que consideram o uso de animais tão natural quanto respirar e beber água. Precisamos mudar o paradigma; precisamos ter uma revolução –do coração. Jamais mudaremos o modo de os humanos pensarem sobre os não-humanos através da violência e da intimidação. Só o faremos quando convencermos os outros de que a exploração animal não pode ser justificada moralmente. Só o faremos quando pudermos compartilhar com eles a paz que entra em nossas vidas ao rejeitarmos a violência. E não faz nenhum sentido dizer que podemos compartilhar essa paz de um modo violento! Julgar os outros é uma forma de violência. Devemos sempre evitar fazer avaliações da integridade moral dos indivíduos. Devemos restringir nossa atenção a ações. Eu não faço julgamentos pessoais a respeito dos bem-estaristas. Eu apenas penso que eles estão errados e apresento razões para a minha posição. Devemos sempre educar de uma maneira não-violenta. Isso não significa que caiamos no relativismo moral ou evitemos tomar posições éticas; pelo contrário. Mas devemos estar dispostos a nos envolver com todos que quiserem se envolver conosco em boa fé e devemos sempre educar de maneira não-violenta. 6. O veganismo é o reconhecimento da condição de pessoa moral dos animais não-humanos. Vivemos em um universo moral binário. Existem pessoas e existem coisas. As pessoas têm valor inerente e são membros da comunidade moral. As coisas têm apenas valor extrínseco ou externo e estão fora da comunidade moral. Embora muitos humanos considerem alguns animais (seus companheiros) como pessoas não-humanas com valor moral, os animais são, no que concerne à nossa lei, considerados propriedade, coisas que têm apenas o valor que nós lhes damos. O veganismo é um ato de desafio não-violento. É a nossa declaração de que rejeitamos a ideia de que os animais são coisas e que consideramos os não-humanos sencientes pessoas morais com o direito moral fundamental de não ser tratadas como propriedade ou recurso dos humanos. Se você não for vegano(a), torne-se vegano(a). É fácil. É melhor para sua saúde. É melhor para o planeta. Mas o mais importante de tudo é que é a coisa moralmente certa a fazer. Você pode se tornar um(a) abolicionista hoje. Agora mesmo. Neste mesmo instante. Você não precisa de uma grande organização ou uma campanha dispendiosa. Você não precisa ficar nu(a) dentro de uma jaula. Você não precisa de líderes para lhe dizerem o que fazer. Você precisa apenas dizer não à violência e deixar que a recusa a cooperar com a opressão comece com o que você põe sobre e dentro de seu corpo. Posts relacionados
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