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Libertação > Abordagen > Francione A religião da não-violência
© Gary L. Francione © Tradução: Regina Rheda © 2009 Ediciones Ánima Caros(as) colegas: No último fim de semana, a JAINA (Federação das associações jainistas na América do Norte) realizou sua 15a. convenção bienal. O evento aconteceu em Los Angeles, no Jain Center of Southern California, que é uma das mais lindas construções que já vi na América. O tema da convenção era “Ecologia: o modo jainista”. A seleção desse tema reflete um foco central da tradição jainista: toda vida está interligada por apoio mútuo e interdependência. O jainismo é uma tradição espiritual que não é bem conhecida pela maioria dos norte-americanos e é muito mal compreendida, de um modo geral. Tentar explicar o jainismo em um texto de blog resultaria numa descrição trivial, incapaz de fazer jus a uma tradição espiritual incrivelmente rica, que é, sem dúvida, uma das mais antigas do mundo, precedendo o budismo e o hinduísmo. No entanto, vou reproduzir, aqui, uma breve declaração preparada e distribuída por Yogendra Jain, que, além de ser vice-presidente da JAINA, tem um site chamado JainLink:
Essa declaração, que Yogendra distribui em cartões do tamanho de cartões de negócio, certamente não pretende ser uma explicação completa e exaustiva, mas uma descrição bem curta dos três princípios centrais que caracterizam o jainismo. Os jainistas são não-absolutistas, mas não são relativistas; isto é, eles reconhecem que há verdade, mas que a verdade é frequentemente complexa. Uma coisa que os jainistas aceitam como verdade clara e absoluta é o princípio da Ainsa (Ahimsa), ou não-violência, que é, realmente, a mais importante ideia presente no jainismo. Muitos jainistas se referem à sua religião como a “religião da não-violência”. Por causa de sua adesão à Ainsa, os jainistas não comem carnes (inclusive de peixe), ovos e mel. Há um movimento cada vez mais forte, dentro do jainismo, em direção ao vegetarianismo estrito e à rejeição ao uso de produtos animais para fazer roupas e para outros fins. Um dos mais proeminentes líderes espirituais vivos do jainismo é Gurudev Chitrabhanu, que é um vegano bem estrito. Não há nenhuma tradição espiritual que seja tão centrada nos animais não-humanos quanto o jainismo. Os jainistas não somente promovem o vegetarianismo (e, cada vez mais, o veganismo) como também estão por trás da maior parte das atividades de proteção animal do tipo “mão na massa”, realizadas na Índia. Deram-me a grande honra de fazer o discurso de abertura da convenção deste ano. Como é de se esperar, falei sobre veganismo e a necessidade de reconhecer que o princípio da Ainsa requer que evitemos o uso de todos os produtos animais. Havia mais de 2000 participantes. Eles receberam minha palestra e minhas ideias sobre o veganismo com considerável entusiasmo. Ao longo dos quatro dias em que estive no evento, falei com centenas de pessoas que indicaram concordar com a ideia de que o veganismo é a maneira certa de reconhecer a Ainsa. Pelo menos umas doze pessoas me pararam para dizer que estavam se tornando veganas ali mesmo, naquele momento! Embora a comida servida no evento não fosse totalmente vegana, era majoritariamente vegana, e todos os veganos foram completa e respeitosamente atendidos. Gostei plenamente de estar na convenção, e aceito o modo de vida jainista –a versão vegana, é claro! Dou toda força para que vocês explorem essa tradição espiritual. Há um ótimo site que oferece (de graça) o texto integral de um grande número de livros em inglês (e outros idiomas). E para aqueles cujas ideias a respeito dos direitos animais e da abolição forem, como as minhas, baseadas, em última instância, na não-violência: vocês provavelmente já são jainistas, só que nunca perceberam. P.S.: Continuo recebendo e-mails de participantes da conferência que estão se tornando veganos. Um comentário:
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