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A “realidade normal da produção de animais para consumo”
© Gary L. Francione © Tradução: Regina Rheda © 2009 Ediciones Ánima Caros(as) colegas: A HBO transmitiu recentemente um documentário chamado Death on a Factory Farm [Morte em uma fazenda industrial]. Esse documentário trata de uma investigação secreta realizada na fazenda de porcos Wiles, em Ohio. O investigador, que trabalhou para a Humane Farming Association, filmou secretamente o horrendo tratamento dado aos animais e levou sua evidência ao promotor local, que registrou dez acusações penais contra Wiles, seu filho e um empregado. O resultado da ação penal? Somente uma acusação resultou em condenação. A pena? Uma multa de 250 dólares e a obrigação de fazer um treinamento em manejo e transporte de porcos. Os indiciados e outros fazendeiros que os apoiavam argumentaram que as práticas mostradas pelo documentário não eram criminosas e representavam a “realidade normal da produção de animais para consumo”. E eles estavam certos. O que o documentário mostra é, de fato, tortura. Mas o que aconteceu na fazenda Wiles não difere em nada do que se passa em todas as grandes fazendas industriais. O que o documentário mostrou é o lugar-comum, a realidade normal. Se você tiver comido porco no jantar de ontem, aquele animal foi submetido a um tratamento mais ou menos do mesmo tipo. É por isso que os defensores dos animais não deveriam apoiar os esforços das organizações de bem-estar que visam tornar a exploração animal mais “humanitária”. A exploração animal na escala necessária para alimentar mesmo uma parte pequena da população humana mundial não pode se tornar realmente mais “humanitária”. As questões econômicas envolvidas na produção e a condição de propriedade dos animais tornam isso impossível – não apenas difícil – impossível. E ainda teríamos, é claro, de responder à questão da justificação moral do uso de animais independentemente de quão “humanitário” seja o uso; mas podemos ter certeza de que o uso nunca será “humanitário” porque sempre envolverá um significativo grau de tortura. As reformas bem-estaristas como a Proposição 2 da Califórnia ou a campanha a favor de matar galinhas com gás são comparáveis a colocar um papel de parede bonito em uma câmara de tortura. Assim como o papel de parede pode fazer os torturadores se sentirem melhor quanto ao ambiente à sua volta, essas reformas fazem os exploradores de animais – e isso inclui todas as pessoas que contribuem para a demanda ao consumir carnes, laticínios, ovos, etc. – se sentirem melhor quanto ao fato de que consomem animais. Assim como o papel de parede não faz nada de significativo pelas vítimas humanas da tortura, as reformas “de fachada” do bem-estarismo fazem pouca coisa pelas vítimas não-humanas da tortura. Há de fato uma só resposta moralmente aceitável e prática à exploração animal: sejam veganos e dediquem todo seu tempo e recursos disponíveis à educação vegana não-violenta e criativa. 2009 Copyright © Ánima — Direitos reservados | Informação legal
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