Ánima
Escravidão

Formas básicas de exploração animal

 

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Prisão Perpétua

Lá fora há sol. Eu me visto de cinza”. Alejandra Pizarnick. “A Jaula”.

 

Foto: ÁNIMA. 2001.
Zoológico de Mendoza, Argentina.

Olhar. Esperar um ensolarado dia de folga e levar as crianças ao zoológico para olhar. Trilhar os caminhos, seguir as indicações às vezes infestadas de avisos publicitários, procurar o animal e olhar. Tentar encontrar as réplicas ao vivo dos incríveis seres descobertos em documentários, livros e revistas que dão conta da vida selvagem. Olhar e dar-se conta de que não estão. Atrás das grades, só as ruínas daquilo que podem ter sido em liberdade. O zoológico, lugar supostamente de encontro entre o animal humano e o não-humano, é a representação mais cabal da impossibilidade desse encontro. “… acabei aprendendo o suficiente para saber o dano que causamos aos animais, ao mantê-los cativos, e simplesmente não quis continuar”. Estas foram as palavras de Desmond Morris quando, há pouco tempo, depois de 10 anos, decidiu largar seu emprego no zoológico de Londres, onde cuidava de mamíferos.

O aprisionamento de animais para ser olhados, tal como se pratica em zoológicos, é uma das tantas formas de “recreação” humana às custas de indivíduos submetidos à prisão perpétua. Inculca nas crianças a idéia de que está certo confinar um animal para reduzi-lo a objeto de um olhar.

Quando você paga para vê-los, ele pagam com suas vidas.

2007

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